Conheça o fungo encontrado em Chernobyl que desafia a ciência ao prosperar em ambiente altamente radioativo. Pesquisadores investigam a hipótese da radiossíntese, ainda sem comprovação.
Fungo encontrado em Chernobyl pode usar radiação para sobreviver, mas cientistas ainda investigam como isso acontece
Organismo negro encontrado no interior da usina nuclear desafia o conhecimento científico ao prosperar em um dos ambientes mais radioativos do planeta.
Um fungo vivendo onde quase nada deveria sobreviver
Quase quatro décadas após o acidente nuclear de Chernobyl, um dos ambientes mais radioativos do planeta continua surpreendendo a comunidade científica. Pesquisadores descobriram que um fungo negro chamado *Cladosporium sphaerospermum* não apenas sobrevive nas estruturas do antigo reator nuclear, como parece crescer melhor na presença da radiação ionizante.
A descoberta reacendeu o interesse da ciência em compreender como determinadas formas de vida conseguem se adaptar a ambientes extremos — e levantou uma hipótese intrigante: o organismo poderia utilizar a radiação como fonte de energia, em um processo apelidado de "radiossíntese". No entanto, os pesquisadores ressaltam que essa teoria ainda não foi comprovada.
Como tudo começou
| Colónias com 11 dias de incubação |
Mesmo assim, a natureza encontrou maneiras inesperadas de ocupar o local.
No final da década de 1990, uma equipe liderada pela microbiologista ucraniana Nelli Zhdanova realizou expedições científicas para investigar quais organismos conseguiam sobreviver dentro das áreas altamente contaminadas.
O resultado surpreendeu.
Os pesquisadores identificaram 37 espécies de fungos vivendo próximas ao reator destruído, sendo que a maioria apresentava coloração escura devido à alta concentração de melanina — pigmento conhecido por proteger células contra diferentes tipos de estresse ambiental. Entre elas, o *Cladosporium sphaerospermum* destacou-se por ser uma das espécies predominantes.
A radiação parece favorecer seu crescimento
Anos depois, novos estudos conduzidos por pesquisadores do Albert Einstein College of Medicine, nos Estados Unidos, revelaram um comportamento ainda mais curioso.
Enquanto a radiação ionizante normalmente causa danos severos ao DNA e às células de praticamente todos os organismos vivos, o fungo apresentou crescimento acelerado quando exposto a esse mesmo ambiente.
Além disso, experimentos indicaram alterações na estrutura da melanina após a exposição à radiação, sugerindo que o pigmento poderia desempenhar um papel muito além da simples proteção celular.
O que é a chamada radiossíntese?
A principal hipótese levantada pelos cientistas recebeu o nome de radiossíntese.
Segundo essa teoria, a melanina funcionaria de maneira semelhante à clorofila presente nas plantas.
Apesar da ideia ser fascinante, os próprios pesquisadores afirmam que ainda não existem evidências suficientes para comprovar que isso realmente acontece.
Experimentos chegaram até a Estação Espacial Internacional
O interesse científico pelo fungo ultrapassou os limites da Terra.
Em um estudo publicado em 2022, amostras de *Cladosporium sphaerospermum* foram enviadas para a parte externa da Estação Espacial Internacional (ISS).
Os resultados mostraram que o fungo reduziu parcialmente a quantidade de radiação que atravessava a placa onde estava cultivado.
Embora o objetivo do experimento não fosse provar a radiossíntese, os pesquisadores consideraram que a espécie pode ter potencial para servir como material biológico de proteção contra radiação em futuras missões espaciais de longa duração.
O maior mistério continua sem resposta
Mesmo após anos de pesquisas, diversas perguntas permanecem abertas.
Os cientistas ainda não conseguiram demonstrar que o fungo realmente obtém energia da radiação.
Também não foi comprovado que ocorre fixação de carbono impulsionada por radiação ou qualquer via metabólica equivalente à fotossíntese.
Por isso, a radiossíntese continua sendo considerada uma hipótese científica, e não um fato estabelecido.
O que se sabe até agora
✔ O fungo vive dentro das áreas altamente radioativas de Chernobyl.✔ Possui elevada concentração de melanina.
✔ Cresce normalmente - e em alguns experimentos até melhor - sob radiação ionizante.
✔ Já foi testado na Estação Espacial Internacional.
✔ A teoria da radiossíntese ainda não foi comprovada cientificamente.
Reação da comunidade científica
Especialistas consideram a descoberta uma das mais interessantes envolvendo organismos extremófilos.
Além de ampliar o conhecimento sobre adaptação da vida em ambientes extremos, as pesquisas podem abrir caminho para aplicações em áreas como:
- exploração espacial;
- biotecnologia;
- materiais biológicos resistentes à radiação;
- medicina e proteção radiológica.
No entanto, os próprios autores alertam que ainda são necessários muitos estudos antes que qualquer aplicação prática seja confirmada.
Perguntas frequentes:
O fungo realmente se alimenta de radiação?
Ainda não há comprovação científica. A radiossíntese permanece como uma hipótese em investigação.Qual é o nome da espécie?
*Cladosporium sphaerospermum*.Ele representa risco para humanos?
Os estudos atuais concentram-se em entender sua adaptação ao ambiente radioativo. Não há evidências apresentadas no material de que represente risco específico às pessoas.Por que ele chama tanta atenção?
Porque consegue prosperar em um ambiente onde a radiação normalmente seria letal para a maioria dos organismos.Próximos passos das pesquisas
Os pesquisadores continuam investigando o papel da melanina na resistência à radiação e tentando confirmar se realmente existe um mecanismo biológico capaz de converter radiação em energia utilizável.
Caso essa hipótese seja comprovada no futuro, a descoberta poderá representar um avanço significativo na compreensão da vida em ambientes extremos e no desenvolvimento de tecnologias voltadas à exploração espacial e à proteção contra radiação.
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