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 Especialista alerta que estes 5 medicamentos comuns podem apresentar riscos ocultos

Especialista alerta que estes 5 medicamentos comuns podem apresentar riscos ocultos


Muitos acreditam que os medicamentos de venda livre — aqueles que compramos sem receita em farmácias ou supermercados — são completamente seguros. Afinal, se estão ao alcance de todos, quão arriscados podem ser? A verdade, porém, é bem diferente e merece atenção: vários desses produtos comuns carregam riscos reais de dependência, uso indevido e danos graves à saúde quando consumidos em doses excessivas, por períodos prolongados ou para fins inadequados.

Estudos e revisões científicas, incluindo relatórios do National Institute on Drug Abuse (NIDA) e análises publicadas em revistas como Frontiers in Psychiatry, destacam que medicamentos como supressores de tosse, analgésicos opioides leves e descongestionantes estão entre os mais associados a abusos. No Brasil e em outros países, o acesso fácil e a percepção de "inofensividade" contribuem para o problema, levando a casos de tolerância, abstinência e complicações sérias.

Aqui estão cinco exemplos comuns que ilustram esses perigos ocultos, com base em evidências consolidadas.

1. Analgésicos com codeína

A codeína, um opioide leve, é frequentemente combinada com paracetamol ou ibuprofeno para aliviar dores moderadas ou suprimir tosse. No organismo, ela se transforma em morfina, responsável pelo alívio da dor.

Efeitos colaterais incluem sonolência, constipação, náuseas e tontura. Em doses altas, pode reduzir a respiração e afetar a coordenação. Pessoas com metabolismo ultrarrápido (mais comum em populações do Norte da África, Oriente Médio e Oceania) convertem a codeína em morfina excessivamente rápido, aumentando o risco mesmo em doses normais.

O uso repetido gera tolerância — o corpo se adapta, exigindo doses maiores para o mesmo efeito —, o que pode evoluir para dependência física. Parar abruptamente provoca sintomas de abstinência: ansiedade, sudorese, insônia e agitação.

Reguladores como a MHRA no Reino Unido limitam embalagens e recomendam uso por no máximo três dias para minimizar esses riscos.

2. Descongestionantes nasais e orais

Sprays com xilometazolina ou oximetazolina, e comprimidos com pseudoefedrina, aliviam o nariz entupido ao contrair vasos sanguíneos.

O problema surge com o uso prolongado: surge a congestão de rebote (rinite medicamentosa), em que o nariz fica pior sem o medicamento, criando um ciclo vicioso de dependência. Isso leva à taquifilaxia (perda de eficácia rápida) e danos ao revestimento nasal, como ressecamento, sangramentos e, em casos extremos, perfuração do septo.

A pseudoefedrina tem efeitos estimulantes leves e é monitorada por seu potencial de produção ilícita de metanfetamina, o que explica restrições de venda em muitos lugares.

Orientações gerais recomendam no máximo 3 a 5 dias de uso.

3. Comprimidos e xaropes para dormir com anti-histamínicos

Substâncias como prometazina e difenidramina são vendidas como auxiliares para sono de curto prazo, graças ao seu efeito sedativo.

A tolerância surge rapidamente, exigindo doses maiores. Usuários crônicos relatam insônia rebote intensa ao parar. Há relatos de uso recreativo, como no "purple drank" (mistura com codeína e refrigerantes), que causa sedação extrema e riscos respiratórios graves.

Pesquisas recentes associam anti-histamínicos sedativos a maior mortalidade, impulsionando debates sobre regulamentação mais rígida.

4. Xaropes para tosse com dextrometorfano (DXM)

O DXM é um dos supressores de tosse mais comuns em medicamentos de venda livre. Em doses recomendadas, é seguro; em altas doses, bloqueia receptores NMDA no cérebro, produzindo efeitos dissociativos semelhantes à cetamina — alucinações, euforia e despersonalização.

Revisões indicam que o DXM é um dos medicamentos de venda livre mais abusados, especialmente entre jovens em busca de efeitos psicoativos. O risco de dependência e overdose é real, com relatos de uso misturado a álcool ou outras drogas.

5. Laxantes estimulantes

Usados para combater constipação, esses laxantes estimulam os músculos intestinais. Muitos os empregam indevidamente em distúrbios alimentares, esportes de peso ou na crença errônea de que evacuações diárias são obrigatórias (na verdade, menos de três por semana já configura constipação).

Eles não bloqueiam absorção de calorias, contrariando mitos populares. O abuso crônico causa desidratação, desequilíbrio eletrolítico e danos intestinais graves, afetando coração e rins.

Em 2020, a MHRA introduziu limites de embalagem e alertas mais fortes.

O que todos têm em comum?

Esses medicamentos não são "perigosos por natureza", mas sua disponibilidade sem receita cria uma falsa sensação de segurança. Compras online sem orientação agravam o problema. Órgãos reguladores impõem restrições — como limites de embalagem e orientações de uso curto —, mas o uso indevido persiste, conforme indicam pesquisas globais.

A chave está na conscientização: leia bulas, respeite doses e prazos, e consulte um profissional de saúde se os sintomas persistirem. Medicamentos úteis podem virar prejudiciais quando subestimamos seus riscos.

Fontes incluem análises do NIDA, revisões sistemáticas sobre abuso de OTC e alertas de agências como MHRA e ANVISA, que reforçam a necessidade de uso responsável para preservar esses recursos valiosos à saúde pública.

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